Oi, pessoal! Voltamos nessa semana com
mais um resumo de um novo texto. Dessa vez, o texto escolhido é "Redes
Sociais na Internet", de Raquel Recuero, a rainha desse mundo
de rede social, rs. Veremos o porquê. Resumidamente, o texto trata dos modelos
de estudo das redes complexas e sua aplicabilidade para as redes sociais na
Internet. Sem falar que veremos isso na perspectiva da análise estrutural das
redes sociais e dos modelos de Barabási e Albert, Watts e
Stro-gatz e Erdös e Rényi. Guardem esses nomes!
Raquel inicia seu texto analisando as
redes sociais a partir de duas grandes visões de mundo. São elas, as
redes inteiras e as redes personalizadas: a
primeira tem um foco mais voltado para a relação estrutural da rede com o grupo
social. Já a segunda, tem seu foco no papel social de um indivíduo, que pode
ser compreendido através das posições que possui dentro das redes, e não só por
pertencer a um grupo. Ela diz, apesar das inúmeras referências teóricas que
utiliza e cita, que os sociólogos acreditavam que as unidades básicas dessas
redes sociais eram as relações entre duas pessoas (díades), que seria a menor
estrutura relacional da sociedade. Também existia um outro foco, voltado para
as tríades, em que temos duas pessoas com um amigo em comum. Assim, essas
pessoas têm uma possibilidade maior de se conhecerem ou de fazerem parte de um
mesmo grupo, graças a esse amigo em comum.
Depois, Raquel fala que Watts afirmava
que existia uma diferença entre os estudos das redes de antigamente e agora, pois,
antes elas eram, digamos, "fixas", "presas" no tempo. Hoje,
elas já são mais mutáveis, ou seja, estão sendo querendo mudar e
melhorar, são "afixas". Então, ela começa a falar dos novos estudos
das redes, falando de três modelos principais:
- O primeiro deles é o Modelo de Redes Aleatórias, que
fala como se formariam as redes sociais e já diz, na sequencia, que eles
demonstraram que uma conexão bastava entre cada convidado de uma festa,
pra que, no final, todos estejam ligado a ela. Dessa premissa, Erdös
e Rényi concluíram que todos os nós precisam ter, mais ou menos,
a mesma quantidade de conexões, classificando-se, assim, como redes
igualitárias.
- O segundo modelo é o Modelo de Mundos Pequenos, que vê
a interdependência das redes sociais e percebe que todas estão
interligadas umas às outras de alguma forma. Ela cita o sociólogo Mark
Granovetter, que mostrou que, pessoas que possuíam laços fortes (com seus
amigos próximos, por exemplo) participavam, em geral, de um mesmo círculo
social e que, aquelas pessoas que possuíam laços mais fracos, é que seriam
importantes, pois elas conectariam vários grupos sociais. O seu trabalho
nos traz de volta a importância da tríade nas redes sociais. Dá pra
perceber, portanto, que as redes sociais não são aleatórias, elas possuem
algum tipo de ordem nelas.
- E o terceiro e último modelo é o Modelo das Redes Sem Escalas, que afirma que um novo nó tende a se conectar com um pré-existente. Assim, as redes não seriam constituídas de nós igualitários, ou seja, com a possibilidade de ter, mais ou menos, o mesmo número de conexões. Pelo contrário, elas possuiriam nós que seriam altamente conectados e muito outros nós (a grande maioria) com poucas conexões. Citando um exemplo, o modelo de Barabási e Albert tem um grau de conectividade muito baixo, já que apenas alguns nós estão altamente conectados. Já o modelo de Watts e Strogatz tem um grau de conectividade parecido com o de Erdös e Rényi, ou seja, um alto grau de conexão entre os nós.
Raquel continua falando das redes sociais na Internet e quer discutir a validade dos modelos que apresentou. Para isso, ela cita exemplos na prática que poderia auxiliar (e muito) essa observação. Um deles é o: Orkut!
Bom, ele foi desenvolvido com base no "software social", que é um sistema que visa proporcionar conexões entre as pessoas, gerando novos grupos e comunidades, simulando uma organização social. No começo, o Orkut mostrava que existia uma ampla rede social que estava altamente conectada por cada usuário, com um grau de separação muito pequeno (assim como estava previsto no modelo de Watts e Strogatz). Só que nem todo mundo ali era realmente seu "amigo" e possuía algum grau de relação. Você tinha a opção de adicionar alguém como seu amigo sem que existisse qualquer tipo de interação entre os dois, era simples: bastava fazer o pedido e o outro aceitar. Pronto! Amizade formada. Por isso, a maioria dessas relações e conexões são falsas, no sentido de que não apresentam nenhum tipo de interação social, ou seja, não demonstra a existência de uma rede social. Se não existe interação social, ele pode ser considerado uma rede social?
Para o Orkut, as pessoas que era altamente conectadas funcionavam como conectores, ou seja, elas representavam grandes nós que conectavam membros de vários grupos isolados e que, através delas, tinham um grau de separação menor entre si. Mas, a priori, essas redes não poderiam ser consideradas redes sociais, pois, em sua formação (esse ato de adicionar amigos), eles já dispensam a interação social, visto que não era um pré-requisito para ser amigo no Orkut. Portanto, essas pessoas altamente conectadas funcionavam como hubs no sistema do Orkut. Poucos são os momentos de diálogo e troca de verdade entre os membros das comunidades. Não era proporcional a quantidade de interação ao tamanho da comunidade (ou pelo menos não parecia ser, rs).
Aqui, já é mais fácil de observar a interação, na medida que ela se dá de maneira repetida (as pessoas conversavam através de comentários). Cada novo comentário poderia ser uma nova conexão, apesar de que também existiam os comentários negativos, que poderiam causar um exílio da comunidade. Então, nem todo comentário representa, de fato, uma nova conexão, pois alguns deles representam uma relação, digamos, subtrativa, de dissociação entre nós.
Para concluir, Raquel fala dos modelos de análise das redes propostos pelos nomes que indiquei no começo desse post. Ela diz que eles são insuficientes no sentido de perceber as complexidades de uma rede social na Internet, visto que esses modelos, apesar de afirmarem sua aplicabilidade para as redes sociais, falham em levar em conta as premissas mais básicas da análise social.
- Modelo de Erdös e Rényi, que apresenta uma rede aleatória, tem méritps de ter sido o primeiro modelo a olhar para as redes sociais e sua dinâmica no tempo. Porém, as relações entre os indivíduos na comunicação através do PC não são aleatórias;
- Modelo de Watts e Strogatz, que apesar de apresentar uma construção importante (o valor das pequenas conexões entre grupos para gerar mundos pequenos), não observa pontos fundamentais, como a motivação dessas conexões, que nem sempre são feitas de modo aleatório.
- Modelo de Barabási, que traz um importante insight no sentido de prever o mecanismo de construção das redes, onde os "ricos mais ricos" e a presença de conectores. Porém, sua falha está em pontos cruciais para o estudo das redes sociais geradas via comunicação através de PC, já que não leva em conta, por exemplo, o custo da manutenção dos laços sociais. Hubs simplesmente acumulam laços, como se a relação entre pessoas fosse somente um pedido de amizade na rede. Consequentemente, não leva em conta também o contexto e o capital social envolvido em cada interação, fora que esse mecanismo "ricos mais ricos" falha na formação de grupos sociais na Internet, pois as pessoas procuram conectar-se a outras por motivos específicos e não somente porque possuem mais conexões.
Fechando mais um resumo com uma citação do texto, Raquel diz:
"Todos os modelos, portanto, apresentam falhas na aplicação às redes sociais na Internet, em grande parte, devido à sua natureza matemática e pouco investigativa do teor das conexões e da não presunção de interação para a constituição do laço social."
Assim, termino mais um resumo e te espero na próxima! Até lá.