segunda-feira, 30 de março de 2015

A Cauda Longa (Capítulos 1 e 5)

Estamos de volta com mais uma postagem sobre um novo texto, dessa vez não pertencente ao nosso livro. O resumo de hoje é de um texto chamado "A Cauda Longa", de Chris Anderson, em que vamos analisar os capítulos 1 e 5. Já no primeiro capítulo, é falado do acervo digital que é enorme atualmente e da divulgação boca-a-boca (as vezes até sugestões nos próprios sites de compras online). Por existir um amplo catálogo, as pessoas estão mergulhando fundo nele para ver o que há disponível para o consumo. Quanto mais descobrem, mais gostam. O texto começa a falar sobre as lojas de CD's e mostra como existem regras para manter os exemplares nas prateleiras (enquanto no meio online não há essas regras). Um ponto que ele toca e que é importante se atentar é para a localidade, onde muitos produtos de uma qualidade surpreendente que seriam capazes de atrair um grande público, não o fazem, pois não conseguiram vencer as barreiras do varejo local. Essa seria uma das restrições existentes. Uma outra restrição do mundo físico é a física em si, pois analisando os espectros de ondas sonoras da rádio e TV, vemos que há uma limitação e que isso pode interferir na audiência, sendo necessário agregá-las em áreas geográficas limitadas. Sendo assim, a indústria do entretenimento achou uma solução fácil para essas restrições, que seria o foco nos grandes lançamentos. Porém, por se tratarem de meios, digamos, offline, existe a escassez, visto que um CD, por exemplo, pode esgotar nas prateleiras das lojas. Mas agora com o mundo online, passamos de escassez para abundância, pois temos muito mais CD's, continuando no exemplo, e que sempre estarão ali, sem esgotar.

O texto continua falando sobre música e começa a comentar os varejistas de música online. Ele fala das faixas mais vendidas de um serviço de streaming, apresentando um gráfico, que mostra um curva decrescente, em que ele diz sendo, no começo, os grandes hits que estão em alta e que vendem bastante (por isso estão no "topo") e o restante são as outras músicas em geral, que vão vendendo pouco em relação aos hits. Deve-se notar aqui que essa linha decrescente, apesar de diminuir, não chega ao numero zero de downloads. Então, pelos "não-hits" serem tantos, suas vendas, embora sejam pequenas, atingem rapidamente volumes consideráveis. Elas não são músicas populares, individualmente falando, mas, em conjunto, se tornam um número significativo. E é assim que se forma a Cauda Longa!

O que mais podemos notar na cauda longa é seu tamanho, visto que é espantosa sua amplitude. Podemos notar que a maioria dos negócios de Internet bem-sucedidos, de uma maneira ou de outra, explora a cauda longa. Tomemos o Google como exemplo. Ele ganha boa parte de seu dinheiro não com grandes empresas milionárias anunciantes, mas sim com pequenas empresas fazendo suas propagandas. Podemos notar, então, que a popularidade não mais detém o monopólio da lucratividade.

Partindo pro próximo capítulo, em que fala-se dos novos produtores, o texto aborda a questão de que todos podem produzir algo, mesmo não sendo especialista em um assunto. Basta querer contribuir de alguma forma com aquilo. Ele cita um exemplo de pesquisa espacial em que, observadores amadores se juntaram a observadores profissionais para analisar determinado assunto espacial e, graças a isso, conseguiram formar uma teoria básica sobre o funcionamento do universo. Quando um trabalho científico anunciou a nova descoberta para o mundo, todos compartilharam sua autoria. Isso significa dizer que os amadores multiplicam a força de trabalho dedicada à algum projeto ou pesquisa. Ele cita um outro exemplo que seria um projeto da NASA, em que, ao distribuir dados entre os computadores dos voluntários, o projeto torna-se capaz de examinar uma quantidade bem maior de sinais do que seria possível sem esse compartilhamento. John Lankford, um historiador da ciência, afirmou:
"Sempre restará alguma divisão de trabalho entre profissionais e amadores, mas, no futuro, será cada vez mais difícil distinguir os dois grupos".
O capítulo continua falando agora sobre a democratização das ferramentas de produção, que é a primeira força da Cauda Longa. O mesmo efeito visto no exemplo da astronomia se manifesta em vários outros campos. Por exemplo, hoje, milhões de pessoas escrevem em blogs (como este aqui), que, no conjunto, são muito maiores que qualquer veículo da grande mídia. Portanto, os blogs são consequencia da democratização das ferramentas, pois com o advento dos softwares e de serviços simples, a editoração online se tornou acessível a todos. Agora, deixamos de ser consumidores passivos para sermos produtores ativos. Doe Searls chama esse fenômeno de mudança do consumismo para o "producismo" participativo. É aí que é mostrado o maior exemplo dessa produção colaborativa: a Wikipédia, pois trata-se de uma enciclopédia online, explorando a sabedoria coletiva de especialistas e amadores. Cada indivíduo é especialista em algo e é isso que faz da Wikipédia o que ela é hoje. Praticamente não existe um assunto que não mereça um verbete. Ela, assim como Google, opera com base na chamada lógica exótica  da estatística probabilística, ou seja, é mais questão de probabilidade do que certeza. Mas nosso cérebro não está preparado pra raciocinar em termos de probabilidade, então queremos saber se algo está certo ou errado e, por isso, queremos algo sábio orientando os resultados. 

A vantagem que os sistemas probabilísticos possuem é o benefício da sabedora das multidões e, consequentemente, podem aumentar sua amplitude e sua profundidade. Mas é preciso analisar cada resultado isolado com um pouco de dúvida, afinal, a Wikipédia deve ser a primeira, e não a ultima fonte de informação. Quem contribui para a construção da Wikipédia são pessoas liberais, que são engajadas e motivadas pela oportunidade de melhorar o conhecimento público de algum assunto que gostam e que são conhecedores. Esse é o mundo da "peer production", ou seja, da produção compartilhada, colaborativa, possibilitado pela Internet, caracterizado pelo voluntarismo ou amadorismo de massa. A diferença entre produtores "profissionais" e "amadores" torna-se cada vez mais nebulosa e é bem possível que torne-se irrelavante. Não fazemos apenas aquilo porque somos remunerados de alguma forma, mas sim porque queremos. Ambos os tipos de atividades podem ser valiosos. 

Para encerrar mais um resumo, segue, como de praxe, uma frase que resume bem a Cauda Longa e todo seu significado:
"Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais".

Até o próximo resumo! 

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